Contabilidade para Restaurantes, Padarias e Cafés: o que muda com a Reforma Tributária

O setor de alimentação está entre os segmentos que mais sentirão os efeitos da Reforma Tributária. Restaurantes, bares, padarias, cafeterias e similares precisarão revisar preços, margens,  cadastro de produtos, fornecedores e até mesmo o enquadramento tributário.

Mais do que cumprir obrigações fiscais, a contabilidade passa a ter um papel fundamental na proteção da rentabilidade e na tomada de decisões estratégicas.

Por que a contabilidade é ainda mais importante para o setor alimentício?

O setor de alimentação possui características que exigem controle permanente:

  • Elevado volume de compras e vendas;
  • Perecibilidade dos estoques;
  • Margens geralmente reduzidas;
  • Grande utilização de mão de obra;
  • Necessidade de controle rigoroso de desperdícios;
  • Diversidade de tratamentos tributários para os produtos comercializados.

Com a chegada do IBS e da CBS, a correta classificação fiscal dos insumos e mercadorias passa a impactar diretamente o custo final dos produtos vendidos. 

Reforma Tributária: o que muda para restaurantes e padarias?

A Reforma Tributária substitui gradualmente:

  • PIS;
  • COFINS;
  • ICMS;
  • ISS.

Por dois novos tributos:

  • CBS (federal);
  • IBS (estadual e municipal).

Os dois funcionarão sob a lógica do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), permitindo maior aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva.

Para o empresário da alimentação, a atenção deve estar concentrada em três pontos principais:

1. Diferença entre vender alimentos e servir refeições

Muitos produtos adquiridos pelo restaurante podem possuir tratamento favorecido na cadeia de produção e distribuição, inclusive alíquota zero ou redução de tributação.

Porém, quando esses itens são transformados em refeições prontas e vendidos ao consumidor final, o tratamento tributário pode ser diferente.

Isso significa que o benefício tributário do insumo nem sempre será transferido integralmente para a refeição servida ao cliente.

Por esse motivo, a gestão dos créditos tributários passa a ser extremamente relevante.

2. Cesta Básica Nacional com alíquota zero

A LC 214/2025 definiu diversos alimentos com alíquota zero de IBS e CBS, incluindo produtos amplamente utilizados por restaurantes e padarias, como:

  • arroz;
  • feijão;
  • carnes;
  • leite;
  • ovos;
  • café;
  • frutas;
  • hortaliças;
  • farinha de trigo;
  • mandioca e derivados.

Além disso, frutas, verduras, legumes e diversos produtos hortícolas também receberam tratamento favorecido. 

Na prática, isso pode reduzir o custo tributário de aquisição de diversos insumos utilizados diariamente pelo setor alimentício.

3. Necessidade de revisão da formação de preços

A precificação baseada apenas no food cost não será mais suficiente.

O empresário precisará considerar:

  • créditos recuperáveis de IBS e CBS;
  • tributação efetiva sobre a venda;
  • impacto dos insumos com tributação reduzida;
  • margem de contribuição por produto;
  • desperdícios e perdas.

Restaurantes que não revisarem sua estrutura de preços podem perder competitividade ou reduzir sua margem sem perceber. 

O Simples Nacional continuará valendo?

Sim.

Mas ele sofrerá mudanças importantes.

A Reforma Tributária criou a possibilidade de as empresas do Simples Nacional optarem por duas formas de tributação para IBS e CBS:

Regime Tradicional do Simples

A empresa continua recolhendo os tributos dentro do DAS.

Vantagens:

  • menor burocracia;
  • menor custo operacional;
  • simplicidade na apuração.

Desvantagem:

  • clientes podem receber créditos menores de IBS e CBS, mas geralmentes geralmente atendem o consumidor final pessoa física, o que pode representar uma vantagem.

Regime Híbrido do Simples Nacional

A empresa permanece no Simples para os demais tributos, mas recolhe IBS e CBS por fora do DAS.

Vantagens:

  • geração de créditos integrais para clientes;
  • maior competitividade em operações B2B;
  • aproveitamento da não cumulatividade.

Desvantagens:

  • aumento da complexidade tributária;
  • maior necessidade de controles fiscais e contábeis. 

Conclusão

A Reforma Tributária trouxe um novo cenário para restaurantes, padarias, cafeterias e lanchonetes. A empresa que continuar utilizando a contabilidade apenas para cumprir obrigações fiscais corre o risco de pagar mais impostos, perder créditos tributários e reduzir sua margem de lucro.

Por outro lado, negócios que utilizarem a contabilidade como ferramenta estratégica poderão aproveitar os benefícios, avaliar corretamente o regime híbrido do Simples Nacional, otimizar créditos de IBS e CBS e aumentar sua rentabilidade de forma sustentável. 

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